Velocidade, inteligência e eficácia são características fundacionais para líderes com sucesso. Mas nos ambientes de trabalho complexos e com constantes distrações de hoje em dia, estas qualidades por si só não são suficientes. Pesquisas científicas demonstram que a complexidade e as implacáveis distrações do contexto de negócios atual, estão a destruir a nossa atenção, a impedir a nossa produtividade e a diminuir a nossa criatividade. Nós entramos na Economia da Atenção, onde a clareza mental e o foco da nossa atenção se estão a tornar os ingredientes secretos da liderança de excelência.

Robert Stembridge, Diretor-Geral da Accenture Technology, chegou a esta conclusão: ele apercebeu-se de que o seu cérebro estava sempre cheio, e que um cérebro cheio se pode tornar num enorme risco, na medida em que nos impede de ver a realidade com clareza e inibe a nossa capacidade de tomar as melhores decisões.

Ao gerir uma equipa internacional, fornecendo aos seus clientes soluções altamente complexas numa indústria em mudança constante, ele apercebeu-se de que uma mente mais focada e compassiva poderia ser uma vantagem competitiva que o poderia pôr a ele, e à sua equipa, à frente da competição. Ao decidir explorar mais esta ideia, ele encontrou uma forma de se levar a si e à sua equipa, de uma mente distraída e constantemente ocupada, para uma mente mais focada e consciente. O treino em mindfulness foi a ferramenta usada, e mais foco, clareza e compaixão foram os resultados obtidos.

Foco – Recuperando Uma Vantagem Competitiva

Focarmo-nos costumava ser algo fácil. Antigamente, concentrávamo-nos numa coisa de cada vez: um martelo, uma máquina de escrever, uma pessoa. Mas as coisas mudaram. As distrações de hoje destruíram completamente a nossa concentração. Durante algum tempo, pensamos que o multitasking era a resposta, mas estávamos errados. Investigadores científicos estão a demonstrar que o multitasking, ao diminuir o nosso córtex pré-frontal, está a destruir o nosso foco.

E quanto é que o nosso foco está a sofrer hoje em dia? 46.9%, para ser exato. Esta é a percentagem do tempo que passamos acordados em que as nossas mentes vagueiam involuntariamente para longe daquilo em que nos tentamos focar. Por outras palavras, metade do tempo, nós não estamos realmente a prestar atenção às tarefas que temos em mãos, ou às pessoas que temos à nossa frente. Isto significa que existe um enorme potencial a ser desenvolvido.

Há medida que o nosso foco diminui, a nossa capacidade de prioritizar também diminui. Quanto mais deixamos as nossas mentes serem distraídas por interrupções constantes, menos somos capazes de prioritizar, e de manter as prioridades que definimos. Corremos o risco de nos tornamos viciados-em-ação: altamente eficazes a fazer muitas coisas – mas não necessariamente as coisas certas. Acabamos por dar por nós às voltas, sem realmente sairmos do mesmo sítio. Mas não tem que ser assim. O nosso foco pode ser treinado, como um músculo. E foco é poder. É o foco que nos liberta do vício-em-ação e da armadilha do multitasking.

Clareza – Eliminando A Complexidade

A complexidade veio para ficar. O novo normal no mundo dos negócios é uma realidade em mudança constante, globalmente interdependente e competitiva. Fatores tradicionais como o conhecimento e a velocidade já não são suficientes para dar resposta aos desafios atuais. Aliás, hoje em dia, estes podem ser os fatores que o mantêm estagnado no status quo, com um estilo de liderança do antigamente.

O conhecimento era fundacional ontem. Mas a liderança atual exige mentes com altos níveis de clareza, para poderem acolher e penetrar uma complexidade sem paralelo. Não se conseguirá manter no topo de níveis astronómicos de nova informação disponível, mas pode treinar a sua mente para ter clareza, e assim detetar o que é realmente importante e ignorar o resto.

A velocidade era o combustível da liderança de ontem. Mas a velocidade das comunicações eletrónicas há muito que deixou os líderes mais rápidos sem ar. E haverá sempre um concorrente asiático disponível para trabalhar mais horas. A velocidade já não é suficiente. Mas a clareza mental é. Ela ajuda-o a fazer as coisas certas, em vez de todas as coisas que lhe aparecem à frente. A complexidade de hoje exige líderes com clareza mental.

Compaixão – Beneficiar O Negócio Enquanto Se Beneficia O Mundo

O carácter chinês para ‘viver ocupado’[1] consiste em duas palavras: coração e morte. Quando nos tornamos mesmo ocupados, perdemos o nosso coração no processo. Quando isto acontece aos líderes, as suas organizações sofrem consequências negativas.

Compaixão, altruísmo e o cuidado com os outros vencem sempre. Também nos negócios. Especialmente numa realidade cada vez mais fragmentada e em mudança constante. Quando tudo à nossa volta muda, a estabilidade de uma conexão verdadeira com os outros pode-se tornar o fator estabilizador que aumenta a resiliência, o empenho e a performance.

De forma simples, a compaixão consiste na intenção de querer beneficiar a pessoa que está à sua frente. Imagine como o mundo seria se todos nós incorporássemos essa intenção.

Contudo, ser compassivo não significa agradar aos outros. A compaixão pode ser dura. Uma sessão de feedback compassivo e firme pode ser a coisa mais benéfica que pode fazer por outra pessoa. E quando tem que despedir alguém ou gerir grandes processos de mudança, a compaixão também pode ser útil. Nós não podemos mudar o facto de que os negócios têm de se adaptar para prosperar e sobreviver. Mas nós podemos mudar a dinâmica e a experiência das situações de mudança difíceis, não apenas para os outros, mas também para nós próprios.

Para os líderes, uma coisa tem que vir antes da compaixão pelos outros – a compaixão por si próprios. Enquanto líderes, nós somos nomeados para servir o bem maior. E na tentativa de o fazer, podemos perder de vista as nossas próprias necessidades. Podemos acabar por esgotar a nossa energia e o nosso bem-estar, e assim perder a capacidade de sermos úteis.

Num mundo de disrupção, mudança climática e desigualdade social, a compaixão pode ser a cola que nos mantém a todos juntos. Enquanto líderes, a qualquer nível, temos a oportunidade de caminhar à frente e de nos tornarmos um exemplo para um mundo melhor.

Em suma, a compaixão pode ser útil para si, para o seu negócio e para o mundo. É difícil argumentar o contrário. E se nesta altura pergunta a si próprio, “Quando é que é a altura certa para ser altruísta?”, o Dalai Lama dá-lhe um conselho simples: “Seja altruísta quando for possível, e é sempre possível.

Hoje em dia, a liderança pode ser desafiante. A complexidade e as distrações são uma nova normalidade. Mas as nossas mentes criam a nossa realidade, e tal como Robert Stembridge e as suas equipas, nós podemos treinar a nossa mente para termos mais foco, mais clareza e mais compaixão. Nós podemos cortar pelo meio de toda a confusão e aprender a ver hoje as soluções do amanhã.

[Nota] O título original do artigo em inglês aproveita o jogo de palavras com as expressões ‘busy’ e ‘mindful’: “3 Tips to Getting from Mind-full Busyness to Mindful Business”
[1] No original em inglês, “busyness

Autor: Rasmus Hougaard & Diogo Rolo
Fonte: Artigo originalmente publicado no LinkedIn, a 15-Set-2016, com o título original “3 Tips to Getting from Mind-full Busyness to Mindful Business

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